14.12.16

Carta

  Que tu possa perdoar a minha falta de objetividade num momento tão áspero dessa tua vida, onde talvez tenha necessidade de mim. Daqui onde estou, não posso te disponibilizar ajuda, ou a alguém. Mesmo se estivesse em teu campo de visão, eu juro, juro não estar em algum lugar desse mundo e é esse o motivo pelo qual eu não posso dizer alguma coisa além da que já disse: estou numa casinha cor de salmão número tal. Vê? Estou sendo franca, não faz diferença.
  Estou numa casinha em conserva, anoitece e amanhece sempre o mesmo dia. O tempo é surdo e vazio, ele não flui. Passa e de repente dá um giro em torno de si  próprio. Repassa. Sobre minhas janelas: já não me parece que ainda trocam fluídos com o meio. Elas me parecem grandes quadros de paisagem urbana que de vez em quando chovem. As minhas janelas apenas reproduzem  as próprias janelas, o que são as janelas, como  fazem aqueles telões atrás dos apresentadores nos estúdios de telejornal.

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